Por Nahama Nunes

O Ministério da Saúde incorporou no final de dezembro a vacina contra dengue ao Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país que registra mais casos de dengue no mundo, com 2,9 milhões de casos em 2023. Dados do Ministério da Saúde apontam que menos 1.094 pessoas morreram por conta da dengue no ano passado.

O médico infectologista Marcos Caseiro explica que o Brasil passa a ser o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público universal. “Essa vacina é uma estratégia extremamente importante, juntamente com outras medidas, entre elas o controle vetorial, ou seja, o controle do mosquito, no combate à dengue. A vacina traz uma proteção em média de 85%. Ela é aplicada em duas doses, com o intervalo entre um e outra de três meses. Os estudos mostraram eficácia em pessoas com idade entre 4 e 60 anos”, explicou.

A vacina, conhecida como Qdenga, foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2023, e desde julho já está disponível em clínicas privadas. O imunizante, do laboratório japonês Takeda Pharma, funciona por conter o vírus atenuado. Ou seja, a vacina contém o vírus da dengue modificado de forma a ser incapaz de causar a doença.

Embora em clínicas particulares qualquer pessoa na faixa etária entre 4 e 60 anos possa receber o imunizante, para a aplicação no SUS foi preciso definir prioridades, conforme explica o infectologista Marcos Caseiro.

“O que ocorre é que essa vacina foi desenvolvida por um laboratório japonês, chamado Takeda, que tem na verdade uma limitação na produção de vacina. Então, em um acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil terá esse ano 5 milhões de doses agora e, nesse sentido, irá priorizar as pessoas com maior vulnerabilidade e maior risco de evoluírem para óbito que são as crianças e os adolescentes, bem como aqueles que vivem em regiões onde nesse momento ocorre alta incidência de casos de dengue”.

Segundo o Ministério da Saúde, o governo vai priorizar a imunização contra a dengue de crianças e adolescentes de 6 a 16 anos, conforme as recomendações da OMS. Com isso, no máximo 3 milhões de pessoas, pouco mais de 1% da população brasileira, serão imunizadas.




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